Cultura

FrançoisCluzet vive médico em crise ao descobrir câncer em “Insubstituível”

Produção francesa concorreu ao Oscar francês em 2017, mas é uma comédia dramática do tipo que Hollywood produz em larga escalaExiste certa condescendência com o cinema francês que alguns filmes, se observados com isenção, tornam insustentável. É o caso de “Insubstituível”, dramédia assinada por Thomas Lilti que chega aos cinemas brasileiros depois de concorrer ao César de melhor ator. Feito com astros americanos e a mesma trama, seria crucificada pela crítica; o sotaque francês, no entanto, parece conceder ao filme um indulto.François Cluzet em cena de InsubstituívelFoto: DivulgaçãoEm “Insubstituível”, assim como em “Hipócrates” (2014), filme anterior de Lilti, o ofício de médico está em pauta. Aqui o ótimo François Cluzet (“Os Intocáveis”) interpreta Jean-Pierre Werner, um médico que atua no campo no interior da França. É o que muitos chamam de médico de família. Werner faz visitas a domicílio e trabalha os setes dias da semana a hora que for solicitado. É um trabalho devotado que carece de vocação. Quando o filme começa, Werner e a audiência descobrem que ele está com câncer.O personagem reage como muitos de seus pacientes reagiriam. Entra em negação e confronto com seu médico. Ele decide não contar para a família que tem um tumor inoperável e, a princípio, decide permanecer trabalhando normalmente. Ocorre que Werner pensa que ninguém terá o cuidado e atenção com os pacientes que ele dispensa. É então que entra em cena a figura de Nathalie Delezia (Marianne Denicourt), uma médica recém-formada que foi enfermeira por muitos anos e deseja atender no campo porque sempre gostou de ir para lá, onde seu pai tinha casa.Há, claro, um estranhamento natural entre o defensivo Werner e a solícita Nathalie e “Insubstituível” vai evoluindo dramaticamente a partir dessa relação e de como ela impacta esses dois personagens.Não se afirma que o filme de Lilti seja ruim. Muito pelo contrário, trata-se de um bom filme para qualquer dia da semana, mas é um filme que repisa inúmeros clichês sem qualquer disposição de ir além deles. Algo que em um filme americano valeria adjetivos de baixo calão em muitas críticas preguiçosas.Aqui nota-se o cuidado no desenho dos personagens, mesmo dos coadjuvantes – e especial atenção na relação de Werner com um nonagenário em estado terminal se faz necessária – e Cluzet é sempre um prazer de se assistir, mas “Insubstituível” não é nem de longe o filme que a estampa sugere.

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King Kong retorna triunfante no divertido ‘Kong – A Ilha da Caveira’

Com locações no Vietnã, novo filme dá tratamento original à mitologia de King Kong e tem potencial para agradar novos e antigos fãsUm dos maiores monstros do cinema, King Kong é sempre um acontecimento quando ressurge na tela grande. Sua última incursão, na refilmagem pilotada por Peter Jackson e lançada em 2005, foi ambiciosa e romântica. Era o Kong que sempre quisemos ver no cinema (com efeitos especiais caprichados, orçamento robusto, liberdade criativa, etc), mas ao mesmo tempo era o Kong que sempre vimos no cinema.King Kong está de volta aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (9) em “Kong – A Ilha da Caveira”Foto: Divulgação“Kong – A Ilha da Caveira” chega para dirimir esse estranhamento. Não é um filme de origem, mas não é a história de King Kong que vimos em 1933, em 1976 e em 2005. Jordan Vogt-Roberts, do obscuro “Os Reis do Verão”, traz estilo e sustância visual para o filme que devolve o maior gorila do cinema a seu habitat. A ilha da caveira é puro exotismo e os personagens, por mais que remontem antigos clichês de gênero, transbordam carisma como a fotojornalista antiguerra de Brie Larson e o ex-militar britânico vivido por Tom Hiddleston.Dois cientistas vividos por John Goodman e Corey Hawkins convencem um senador a custear uma expedição a uma remota ilha para descobrir o que está acontecendo por lá antes dos russos. A paranoia motivada pela guerra fria não será a única boa referência histórico-política do filme. Roberts empresta de um dos filmes de guerra mais icônicos e reverberantes de Hollywood, “Apocalipse Now”, toda a sua estrutura dramática e, embora tenha que fazer concessões – como o subtexto da bela e a fera inerente a todas as encarnações de Kong -, afere um frescor muitíssimo bem vindo ao subgênero de filme de monstro.A grande ambição de “Kong – A Ilha da Caveira” é entreter e isso é algo que cumpre exemplarmente. O visual do filme é de encher os olhos. A cena em que Kong enfrenta um pelotão de helicópteros é das coisas mais impressionantes e empolgantes para o fã do bom cinema de ação que em algum tempo no cinema. Nesse sentido, embora enverede por uma narrativa completamente diferente da proposta por Gareth Edwards em “Godzilla” (2014) – e acredite: isso importa – Roberts alcança um resultado mais impactante de uma perspectiva de cinema enquanto espetáculo.Tom Hiddleston e ótimo elenco são atrações de “Kong – A Ilha da Caveira”Foto: DivulgaçãoEm última análise, este é um filme feito por um fã para fãs de King Kong. Das lutas com lagartos gigantes maravilhosamente articuladas à rivalidade com o surtado coronel vivido por Samuel L. Jackson, mais do que atualizar o personagem, “Kong – A Ilha da Caveira” faz justa reverência ao rei mais longevo do cinema.

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