Comportamento

Projeto retrata superação de mulheres vítimas de violência doméstica

“Muitas vezes, quando contam suas histórias, elas são vistas como vítimas para sempre. Nós nos importamos com elas e as amamos”, diz criadora do “Unconventional Apology Project”Mulheres que sofrem de violência doméstica, abusos e agressões podem carregar o trauma e basearem suas vidas em cima desse sofrimento. Mas as participantes do projeto “Unconventional Apology Project” (Projeto de desculpas não convencionais, em uma tradução livre para o português) acreditam que, agora que são sobreviventes, têm muito da vida para aproveitar. As informações são do site do jornal “Huffington Post”.“Esse projeto é uma forma de pedir desculpa para essas mulheres pela forma como a sociedade não se importou com suas histórias e suas vidas. Muitas vezes, quando contam suas histórias, elas são vistas como vítimas para sempre. Nós nos importamos com elas e as amamos”, explica Chantal Barlow, a idealizadora do projeto.Chantal BarlowFoto: Unconventional Apology Project / Chantal BarlowA avó de Barlow, Mableine Nelson Barlow, foi assassinada pelo marido (avô de Barlow) durante uma briga, quando ele estava bêbado. O assunto sempre foi evitado dentro da família. “Quero mostrar para a sociedade que existem sobreviventes desse mundo”, diz Barlow. Por isso, as mulheres fotografadas sempre estão sorrindo.Todas as mulheres do projeto possuem narrativas trágicas, mas poderosas, que incluem vítimas de parceiros ou mesmo histórias de outros membros da família que sofreram violência doméstica, como o caso de Chantal Barlow. São mulheres de todos os cantos e diferentes em etnia, idade e sexualidade. O que as junta são as histórias de vida e o fato de mostrarem o rosto, e a superação, para o mundo. Conheça algumas delas:Joquesse Eugenia ChambersJoquesse Eugenia ChambersFoto: Unconventional Apology Project / Chantal BarlowJoquesse sofreu com agressões severas de sua namorada por coisas pequenas, como demorar demais para escolher a roupa que vai comprar no shopping. “Eu quero que as pessoas vejam que isso não tem cara, pode ser qualquer um. Se alguém está passando por isso agora, é muito importante tentar achar uma saída e descobrir que é amado. Eu não sei você, mas eu te amo.”, diz Joquesse.Dr. Susan HammoudehDr. Susan HammoudehFoto: Unconventional Apology Project / Chantal BarlowO relacionamento de Susan com o namorado começou a ser caótico quando se iniciaram os assédios morais por meio de xingamentos e duras palavras e logo alcançou o estágio de abuso sexual e físico, quando ele começou a beber muito. “Isso não me define, é uma parte da minha história. Eu perdoo porque é a única forma de eu deixar isso passar. Foi o que eu fiz e foi muito libertador.”, explica Susan que se tornou advogada para defender as mulheres.Peggie Reyna e sua filha Dream MorsePeggie ReynaFoto: Unconventional Apology Project / Chantal BarlowPeggie se casou aos 16 anos com um agressor e ficou com ele por 12 anos e meio. A gota d’água foi quando ele a deixou com a mandíbula e nariz quebrados, sem dentes e com sangue escorrendo do ouvido, o que causou surdez profunda. Foram precisas várias cirurgias para recuperá-la. Sua filha, Dream, também casou com um homem agressor e viveu muitos abusos até que um dia ele colocou uma arma na cabeça dela e a matou.“Eu não me sinto mais culpada ou responsável pela violência que aconteceu na minha vida ou na da minha filha. Eu me sinto livre em poder contar o que aconteceu.”, revela Peggie.Tamieka SmithTamieka SmithFoto: Unconventional Apology Project / Chantal BarlowTamieka sofreu com violência por causa do ciúmes. O parceiro acreditava que ela mantinha um relacionamento extraconjugal. A última vez que ela foi agredida, ele segurou em seu pescoço e disse que iria matá-la. Ela escapou, pegou tudo que conseguiu e saiu de casa junto com as crianças. “Compartilhar isso me faz sentir mais forte. Depois de tudo, eu me senti inútil”.Zoë La PlacaZoe La PlacaFoto: Unconventional Apology Project / Chantal BarlowZoë começou a se auto violentar quando os assédios verbais e morais de seu parceiro começaram a piorar. Mesmo recebendo conselhos de pessoas próximas para não fazer dele o seu mundo, Zoë manteve o relacionamento por 9 anos e sofreu as consequências disso. “Não tinha ideia nenhuma do quão incrível eu era. Hoje em dia eu entendo e sou feliz se puder ajudar as pessoas com a minha história.”, conta ela.

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Como driblar o consumismo infantil excessivo no Natal?

Especialista alerta para risco de se incentivar materialismo nas crianças e importância de se dizer ‘não’, enquanto leitores dão dicas presentes alternativosNas ruas, na TV, na internet, no shopping e até em eventos patrocinados em parques. O “bombardeio” de propagandas direcionadas a crianças que já ocorre ao longo do ano fica ainda mais intenso na época do Natal. Mas como driblar o consumismo infantil excessivo diante de tantas “tentações”?Como driblar o consumismo infantil excessivo no Natal?Foto: Ilustração/KondoA BBC Brasil pediu dicas para pais e mães, especialista em direitos da infância e também para nossos leitores no Facebook. São presentes alternativos e ideias úteis para aproveitar o Natal com as crianças, eliminando (ou ao menos minimizando) o estresse de negociar pedidos insistentes por brinquedos da moda. Veja algumas delas:Desligar a TV e fugir do shopping “Esse bombardeio de publicidade ao público infantil tem consequências graves. Ele incentiva o consumismo e o materialismo entre as crianças, que, assim como os adultos, podem passar a acreditar que ao terem aquele produto, serão mais felizes, terão mais amigos, vão se divertir mais. Isso gera, por exemplo, problemas de autoestima”, afirma Isabella Henriques, uma das diretoras da ONG Instituta Alana e coordenadora do Projeto Criança e Consumo.Prepare um picnic no parque com as criançasFoto: Julia Ribeiro FotografiaPara fugir desse cenário, ela sugere evitar ao máximo locais e atividades em que as crianças são mais expostas à publicidade. “A primeira dica é desligar a TV sempre que possível, já que na maioria dos canais háa um grande volume de propagandas.”Isabella também sugere fazer atividades de lazer que não estejam atreladas ao consumo de produtos. A dica da coordenadora é trocar a televisão por jogar um jogo ou fazer um bolo e um sábado no shopping por um passeio ao ar livre. “O maior presente para as crianças é sempre a presença dos pais ou responsáveis. É isso que elas gostam, é isso que elas precisam. “Dizer ‘não’ “É claro que nem sempre é simples dizer ‘não’ a uma criança. Mas os pais precisam ter em mente que dizer ‘não’ faz parte do processo de educação das crianças. É algo importante para a formação delas”, afirma Isabella.Na opinião dela, o apelo do consumismo infantil excessivo gera um estresse familiar, que acaba se intensificando em épocas como o Natal. E a tensão criada pode ser ainda maior em famílias com menor poder de compra. “Isso pode deixar frustradas as famílias que não têm condições de comprar o que a criança quer”.Para fugir dos apelos, vale fazer os famosos combinados com as crianças antes de ir a shoppings, mercados e afins. Um acordo de que a ida ao shopping é apenas para comprar o presente do primo ou deixar claro que será permitido comprar apenas um produto no mercado pode tornar mais fácil a tarefa de se dizer não – e evitar desgastes e escândalos no corredor de brinquedos.Trocar brinquedos por viagens e passeios A leitora Camila Xavier postou, na página da BBC Brasil no Facebook, um comentário contando como faz para evitar que seus filhos sejam muito exposto à publicidade – e sugere usar o dinheiro que seria usado para comprar brinquedos para fazer viagens em famílias.“Meus filhos não veem propaganda na TV e vão o mínimo possível a centros comerciais. Quando chegam as datas festivas, o máximo que eles conseguem pedir é algum brinquedo que viram com um amigos. Depois do Natal, vem o aniversário deles. Disse que vamos usar o dinheiro para viajar. Eles adoraram”, conta.Faça uma viagem e divirta-se com as criançasFoto: Getty ImagesO escritor e ilustrador Fabio Yabu também combinou de trocar o presente da filha por um passeio. “Ela nem liga tanto para os brinquedos que já tem. Fomos em um parque de aventura aqui em Fortaleza, com arvorismo, pedalinho, tirolesa e ela ficou superfeliz, nem pensou em presente”, conta.“Acho que esse negócio de presente/consumismo é uma pilha que a gente mesmo põe nas crianças, não? De ficar perguntando o que elas querem, o que elas vão pedir pro Papai Noel, no aniversário, no Dia das Crianças…”No Facebook, Gil Moraes opinou: “Acredito que um passeio em família para conhecer um lugar diferente seja um presente mais que adequado, visto que memórias duram muito mais tempo que brinquedos.”Deixar o dia mais verde Entrar em contato com a natureza nunca é demais para uma criança, seja com passeios em parques ou trazendo um pouco de verde para casa. Dois leitores deram dicas nessa linha.Josi De Paula, que vive na Alemanha, contou que seu filho de 3 anos adora passear em bosques e procurar pequenos tesouros como pinhas, pedras e conchas de caramujos vazias.Leve as crianças para um dia no parqueFoto: Getty Images“Tudo vai para uma cesta e fica em sua estante de materiais naturais. Com esses elementos e blocos de madeira, ele faz construções de acordo com sua imaginação.”Dois leitores também deram dicas presentear as crianças com vasos de plantas. “Uma plantinha para ser cuidada”, sugeriu Joaquim Quintino, acrescentando que ela cria responsabilidade nas crianças e dá resultado a longo prazo.“Eu daria sementes e vasinhos para eles plantarem, incentivando desde pequenos a importância de preservar e cuidar da natureza”, diz Anna Karolina.Fazer o próprio presente “Fizemos na minha família um amigo secreto que foi incrível. Cada um tinha de fazer o presente. Foi lindo porque as pessoas se dedicaram a fazer algo bacana para presentear. Eu adorei o meu presente: meu pai pintou um buda lindo para mim. É um dos mais especiais da minha coleção”, conta Gabriela Costa. “Para o presente que meu filho deu para o priminho, pegamos uma sacola de pano tipo ecobag e estampamos com ‘carimbos’ da mãozinha dele.”No Facebook da BBC, a leitora Helga Reinhardt sugere fazer bolinhas de sabão com um arame e um pouco de detergente e dá uma outra dica: “Se você tem alguma capacidade artesanal pode fazer algo como uma casinha tipo tenda”, conta Helga, indicando um blog com dicas de como construir cabaninhas.Faça os brinquedos com a ajuda das criançasFoto: Edu CesarAssinatura de revistas Dar uma assinatura de revistas para as crianças pode ser um presente diferente – e divertido. “Um dos presentes de que minha filha, Marina, de 10 anos, mais gostou no ano passado foi a assinatura de uma revista que traz histórias curtas selecionadas pelos editores e escritas e ilustradas por pré-adolescentes”, conta e Silvia Salek, diretora de redação da BBC Brasil, que mora com a família em Londres.No Brasil, uma revista semelhante é a Yoyo.Veja outras dicas de leitores da BBC Brasil:Show, teatro ou cinema “Um ingresso de teatro é bem legal. Amo levar meu filho”, conta Mayara Covo Piton.Cozinhar em família “Passar o dia cozinhando com os filhos e conversando é muito melhor do que eles passarem o dia inteiro incomodando pra ganhar um presente que ‘um cara’ (Papai Noel) deu pra eles”, diz Michel Lempek Rosa.Fotos e memórias “Eu recomendo como presente, um ensaio fotográfico natalino, sendo que será uma lembrança bonita para o resto da vida, não somente para a criança, mas também para toda a família”, sugere Mateus André.Material escolar “Acho que seria bacana presentear a criança com seu próprio material didático da escola. Levá-la para escolher seus próprios lápis de cor, estojo, e demais materiais, a incentivando a ter gosto pela aprendizagem, e estimulá-la a ter apreço pelas coisas – algo pouco incentivadas nos dias de hoje”, conta Sara Oliveira.Pequenos pintores “Vi esses dias uma daquelas telas de pintor, no tripé e gostei! É uma forma de entrar em contato com a arte e estimular a criatividade”, postou Eliane Rocha Pereira.

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