Sandero R.S. é o esportivo ao alcance do brasileiro

23rd setembro 2017   ·   0 Comments

O modelo apenas compartilha a mesma carroceria com o hatch da Renault, porque o carro é outro

O carro esportivo é desejo daqueles que apreciam a faculdade de dirigir. Porém, ao menos no Brasil, não é um bem facilmente acessível, como em países do primeiro mundo. Ocorre que aqui eventualmente as montadoras se arriscam em projetos que evoluem nossos triviais automóveis em tal condição, como o Renault Sandero R.S. Racing Spirit, um genuíno veículo com desempenho diferenciado, com preparação especial e exclusiva para tal. E não se trata daqueles versão ornadas de perfumaria, mas nada de ganho mecânico, por favor não façamos essa comparação esdrúxula.

Para começo de conversa, o Renault Sandero R.S. é produto da divisão especial da marca para alto desempenho, a Renault Sport. Para resumir, é uma tunagem oficial do fabricante. O projeto do Sandero é entregue a este time dedicado, que executa alterações significativas a fim de obter melhor performance, ou melhor, performance esportiva. E assim nasceu esse ‘hot hatch’ ou ‘foguetinho’. Este último, mais popular entre nós. A relação peso/potência comprova: 1.161 kg por 150 cv, o que dá 7,74 cv/kg.

Relação peso/potência comprova esportividade do modelo da Renault: 1.161 kg por 150 cv, o que dá 7,74 kgfm

Relação peso/potência comprova esportividade do modelo da Renault: 1.161 kg por 150 cv, o que dá 7,74 kgfm

Foto: Divulgação

Então, vamos dissecar este Sandero que assusta quem o acompanha acelerar na rua. Este Racing Spirit, uma série limitada do original R.S. 2.0, tem pneus Michelin Pilot Sport 4, que calçam rodas de 17 polegadas. Com o detalhe obrigatório das pinças de freio pintadas de vermelho. Aliás, tal cor orna pontos estratégicos da parte externa e interna do hatch, numa apropriada combinação com a carroceria preta. Note capa dos retrovisores, contorno do para-choque e faixa lateral com a logo da variante. No interior, o rubro está nos aros dos difusores de ar laterais, contorno do velocímetro, costuras e faixas dos bancos. Ainda no habitáculo, o acabamento preto piano da moda compõe o painel central, as maçanetas são interessantes combinando as duas cores predominantes e uma plaqueta no console, próximo do câmbio, identifica o número do exemplar: são 1.500 unidades.

O coração

Responsável pelas acelerações vigorosas, o conjunto mecânico do Sandero R.S. é um motor 2.0 aspirado que entrega 150 cv de potência e 20,9 kgfm de torque, quando há etanol no tanque de combustível. O propulsor é associado a um câmbio manual de seis velocidades com relações curtas, digno de um esportivo. Na prática, a aceleração de 0 a 100 km/h acontece em oito segundos e o pequeno atinge 202 km/h de velocidade máxima.

Seguindo nos elementos que proporcionam o desempenho diferenciado, o hatch preparado pela Renault Sport é dotado de suspensão exclusiva, esportiva, voltada para a performance. Completam os sistemas mecânicos a direção eletro-hidráulica e os freios a disco nas quatro rodas. O exercício destes, por ser praticado ainda por três modos de condução: Standard, apropriado para o uso diário, com controles de tração e estabilidade ligados. O Sport, acionado pelo botão ‘R.S.’ no console, que proporciona pedal com respostas mais rápidas, ronco do motor mais esportivo, desaceleração mais lenta, marcha lenta aumentada para 950 rpm, permitindo uma condução reativa. E, ainda, o Sport , acionado por uma longa pressão no botão respectivo, que entrega o melhor da condução esportiva do carro, desativando, inclusive, os controles de tração e estabilidade.

O Sandero R.S. Racing Spirit é produzido na fábrica da Renault em São José dos Pinhais (PR). Custa R$ 66.400 e tem lista de equipamentos composta por LEDs diurnos, ar-condicionamento automático, controle de cruzeiro, sensores de estacionamento, central multimídia com navegação, assistente de partida em rampa, entre outros.

Como anda

Parado, até que o Sandero R.S. Racing Spirit está ao pé dos enganadores esportivados que pipocam por aí, aquelas séries de carros cheio de adereços originais mas nada de melhor desempenho. Na hora de acelerar, porém, a magia acontece: uma aceleração e um ronco de motor que nos esboça automaticamente um sorriso (e deixa os demais motoristas boquiabertos). É um prazer dirigir esse hatch. E vale agradecer aos envolvidos na concepção dele. Um volante emborrachado com ótima empunhadura, bancos concha que envolvem, pedais revestidos em alumínio para pisar fundo e um câmbio de relações curtas, o resumo de um cockpit que passa uma sensação pouco acessível ao brasileiro.

Poucos minutos acelerando e percebemos dois elementos fundamentais da suspensão: ela deixou este Sandero mais baixo que o convencional e está calibrada para condições de pista, onde se pressupõe um asfalto de ótima qualidade, que não é o caso das nossas vias. Então, há de se andar manso no ambiente urbano para não ficar quicando dentro do carro e não quebrar ele rápido. Na ciência de acessar uma via com bom piso, acelere (com responsabilidade) e desfrute. Em tais condições, notamos que este hatch também toma curvas de forma diferenciada, com agressividade sem comprometer a segurança. Desde o início, dizíamos que não estávamos diante de um carro comum.

Quando se alterna entre os modos de condução, é possível enriquecer consideravelmente a experiência. Aceleração é entregue de forma mais imediata, com o ronco do motor acompanhando, e giro que passa a atuar nas alturas. Em bom pavimento, o controle do carro fica mais vigoroso e prazeroso, sem problema caso necessite parar breve em razão do bom trabalho dos freios a disco. É inegável a diversão.

Sem economia

O revés está em um fator centro das discussões: combustível. Nada de economia. Segundo o programa de etiquetagem do Inmetro, o Renault Sandero R.S. faz, com etanol, até 6,9 km/l na cidade e 7,7 na estrada. Com gasolina, respectivamente, os números são 9,9 e 11,1 km/l. Testamos ele com o primeiro combustível e com o ímpeto de pisar bem. É queda livre no marcador do quadro de instrumentos. Devemos estar cientes, contudo, de que o seu objetivo é desempenho esportivo e não eficiência energética.

Carro de nicho, como costumam designar, o Renault Sandero R.S. não deve ser comparado com modelos convencionais disponíveis no mercado. O ‘hot hatch’ é uma adaptação diferenciada de um carro comum, devidamente transformado, em um genuíno esportivo. E, dentro, ainda de uma viabilidade financeira apropriada para o poder de compra da nossa sociedade. Entrega a proposta da esportividade com louvor. Recomendado para quem busca tal prazer em dirigir.

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