Como e quando contar para o filho que ele é adotado?

16th fevereiro 2016   ·   0 Comments

Contar a verdade desde cedo e mostrar o amor para as crianças é o segredo para uma boa relação com os filhos adotivos

Adoção é um ato de amor, mas pode ser cercada de problemas, tanto para a criança – que pode não entender o fato de não ser filho biológico –, quanto para a mãe, que tem que lidar com o comportamento e a confusão da criança diante dessa realidade.

Uma das grandes questões acerca deste assunto é: como e quando contar para o meu filho que ele é adotado?

É preciso contar a verdade desde cedo para a criança adotada

É preciso contar a verdade desde cedo para a criança adotada

Foto: Getty Images

Cynthia Wood, psicóloga especialista em crianças e adolescentes, afirma que não existe uma idade correta para contar que o filho é adotado: “Na verdade, tem que ser contado desde sempre”.

A psicóloga diz que a partir de quando a criança já começa a entender o que acontece a sua volta – aproximadamente com 2 anos – a verdade já pode ser revelada, aos poucos, em formas de histórias infantis. O clássico “Você não veio da minha barriga, é filho do coração” é válido. Principalmente os que são adotados muito pequenos devem crescer sabendo a verdade

Outra tática para a realidade não ser tão traumática para os pequenos é valorizar sempre o tempo e o quanto você esperou por ele. Quando ele for maior, e já entender tudo de forma mais profunda, vale também explicar como funciona o processo de adoção.

Crianças adotadas mais tarde

Com as crianças que são adotadas mais velhas pode ser mais fácil, por elas já chegarem sabendo que não são filhas biológica, mas Cynthia alerta: “Às vezes, há uma raiva ou mágoa muito grande e um desejo de que a família o pegue de volta”.

Na mente dos pequenos podem passar mil pensamentos: “Será que a família vai querer?”, “Será que serei devolvido?”, “O quanto a nova família vai gostar de mim?”, entre outros. Por isso, a psicóloga explica que pode haver mais dificuldade na adaptação com a família.

Cynthia salienta que o comportamento é algo particular de cada criança, não existe um padrão, mas entre as adotadas mais tarde é mais comum aquelas que desobedecem para testar os limites: “Inconscientemente, ela pensa: ‘Vou fazer tudo de errado pra ver o quanto eles me amam, o quanto vão me aguentar’”.

Fases

Algumas crianças que são adotadas podem passar por uma fase – de acordo com a psicóloga, geralmente perto dos 15 anos – de negar a adoção e não querer sua origem seja revelada para os outros. Cynthia diz que, nesse momento, o adolescente precisa de um reforço sobre importância que ele tem para você. Já é possível explicar abertamente o que a adoção significa e o quanto ela é um ato de amor.

“Não pode deixar virar tabu”, diz Cynthia. Ela recomenda que a adoção não seja escondida de ninguém.

Não contar para a criança desde cedo que ela é adotada pode gerar muitos problemas. O principal é uma descoberta tardia, por alguém que não seja o pai ou a mãe: “Quebra a confiança que a criança tinha na família. Quem ela tanto amava escondeu um segredo dela”, esclarece Cynthia.

O ciúme tradicional de irmãos pode ser maior

O ciúme tradicional de irmãos pode ser maior

Foto: Getty Images

Irmão de filhos biológicos

Quando a criança tem irmãos que são filhos biológicos dos pais adotivos, o ciúme tradicional de irmãos pode ser maior ainda. “A criança se compara com os irmãos. Quando é adotada, ela usa essa desculpa, mas é a mesma coisa que os irmãos biológicos vivem, sempre acham que são preteridos”, afirma Cynthia.

Nesses casos, a psicóloga recomenda que se deixe sempre claro se um precisa dormir cedo e o outro não, por exemplo. Explique o motivo dessa necessidade – uma prova ou aula. Se a razão da diferença do que eles podem ou não fazer é a faixa etária, explique isso claramente para a criança também.

“Essa dor de ter sido abandonado e a curiosidade de procurar os pais biológicos vão passar. Se os pais mostrarem sempre o amor, a criança acaba perecbendo que é acolhida e amada”, conclui Cynthia.

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